Por Melanie Burton e Shivangi Lahiri
A australiana South32 ASX:S32 disse na quarta-feira que concordou em vender a maior parte de seus ativos de alumínio para a Alcoa NYSE:AA por um valor de empresa implícito de até US$ 5,6 bilhões, à medida que a mineradora diversificada simplifica seus negócios para se concentrar no cobre sob a liderança de um novo presidente-executivo.
Para a Alcoa, o acordo amplia o acesso a ativos a montante, incluindo bauxita, alumina e ativos de alumínio no Brasil, África do Sul e Austrália Ocidental, onde pode aproveitar sua proximidade com a South32, visto que ambas operam refinarias de alumina a poucas centenas de quilômetros de distância uma da outra.
Para a South32, o acordo liberará capital e foco para que o recém-nomeado presidente-executivo da empresa, Matthew Daley, foque em ativos de crescimento com margens mais altas, à medida que a empresa expande a produção de cobre no Chile e de metais básicos nos EUA.
"Este acordo demonstra que a South32 está se concentrando muito mais em metais básicos", disse o gestor de portfólio Andy Forster, da Argo Investments em Sydney, que detém ações da South32. "A notícia deve ser bem recebida pelos mercados hoje."
As ações da South32 subiram até 10% no início do pregão australiano.
A produtora de alumínio sediada nos EUA assumirá cerca de US$ 1,2 bilhão em passivos de limpeza e fechamento do local relacionados aos ativos, disse a South32.
"Nosso negócio será mais simples com um portfólio de operações a montante de maior margem, menor complexidade e maior resiliência", disse Daley, que assumiu o cargo de diretor executivo e diretor administrativo da South32 na quarta-feira.
Daley afirmou que a venda ajudaria a gerar uma economia anual prevista de US$ 125 milhões em custos indiretos, à medida que novas estruturas de suporte forem implementadas.
A transação deverá ser concluída no segundo semestre de 2027, após o qual a mineradora australiana pretende devolver cerca de US$ 500 milhões aos acionistas na forma de dividendos especiais integralmente creditados.
Em um comunicado separado, a Alcoa afirmou que o acordo, que envolve dinheiro e ações, deverá permitir uma redução de custos de cerca de US$ 900 milhões em valor presente líquido.
"Espera-se que uma maior escala e integração reduzam a complexidade, diminuam os custos e melhorem a competitividade, ao mesmo tempo que fortalecem a resiliência da cadeia de suprimentos em jurisdições-chave", acrescentou a Alcoa.
Além de adquirir a participação da South32 na Worsley Alumina, na Austrália, a Alcoa também adquirirá a Hillside Aluminium, na África do Sul, a mina de bauxita MRN no Brasil, sua refinaria de alumina e fundição de alumínio no Brasil.
A transação exclui a fundição de alumínio Mozal da South32 em Moçambique, que foi colocada em regime de manutenção e conservação em março, pois a empresa não conseguiu garantir um fornecimento de energia suficiente e acessível.
Em um comunicado separado, a South32 afirmou que a joint venture chilena Sierra Gorda aprovou a expansão de uma quarta linha de moagem para aumentar a capacidade de processamento em cerca de 25%, com um investimento previsto de aproximadamente US$ 725 milhões entre 2027 e 2030.
Isso aumentará significativamente a produção de cobre e reduzirá os custos operacionais unitários, disse Daley.