Desenvolvedores do Ordinals afirmam que sua tecnologia vai resistir ao BIP-110, uma proposta de mudança na regra que busca impedir que usuários armazenem arquivos no Bitcoin. O debate gira em torno de uma questão: o Bitcoin BITSTAMP:BTCUSD deve ser apenas dinheiro ou tudo o que os usuários estiverem dispostos a pagar?
Inscriptions permitem que pessoas armazenem imagens e textos na blockchain do Bitcoin, de maneira semelhante aos NFTs. O BIP-110 bloquearia a maior parte desses dados por um ano. Apoiadores afirmam que isso é spam, enquanto críticos defendem que o Bitcoin precisa continuar acessível a todos.
O que o BIP-110 mudaria para o Bitcoin?
Cada transação no Bitcoin pode carregar um pequeno dado extra, e as inscriptions utilizam esse espaço para guardar imagens e mensagens permanentemente. A proposta reduziria esse limite para 256 bytes por unidade, o equivalente a um parágrafo curto de texto.
Esse limite inviabilizaria o método de armazenamento usado atualmente pelas inscriptions. A regra teria duração de um ano, sendo desativada automaticamente ao final do período, sem afetar moedas antigas.
O autor da proposta, que escreve sob o pseudônimo Dathon Ohm, credencia o mantenedor do Bitcoin Knots, Luke Dashjr, pelo primeiro rascunho.
Mineradores votam ao adicionar uma pequena sinalização nos blocos minerados. O plano precisa de 1.109 blocos sinalizados dentre 2.016 em um período de duas semanas. No entanto, o monitor público registrava apenas três blocos sinalizados em 30 de junho, menos de 1%.

O apoio nunca ultrapassou 1% desde o início da votação em dezembro de 2025. O melhor período de duas semanas atingiu 0,79% em meados de junho.
Existe um porém: o plano não requer maioria para ativação. A partir do início de agosto, computadores com o software do BIP-110 vão rejeitar blocos sem a sinalização.
Adam Back, CEO da Blockstream, já alertou sobre o risco de bifurcação, ou seja, o Bitcoin pode se dividir em dois projetos concorrentes. Michael Saylor, da Strategy, qualificou a proposta como um risco autoimposto.
Dashjr, por sua vez, tratou o cenário como existencial na última quinta-feira.
“… Se o BIP-110 fracassar, o Bitcoin fracassa junto. Não tenho interesse em nenhum CBDC, muito menos em um CBDC não regulado fingindo ser descentralizado”, ele publicou.
CBDC é uma moeda digital emitida por governos. Para ele, um Bitcoin incapaz de barrar spam perde a característica que o diferencia.
Equipe do Ordinals diz que está preparada
No dia 2 de julho, o desenvolvedor do Ordinals, lifofifoX, apresentou uma correção para armazenar dados de forma distinta. O método divide arquivos em pequenos trechos permitidos, substituindo o formato vetado pelo BIP-110. Assim, as inscriptions seguiriam funcionando mesmo se a regra for aprovada.
Casey Rodarmor, criador do Ordinals, aprovou a alteração no mesmo dia.
“… Está ótimo! Vamos aguardar a ativação do BIP-110 para integrar essa atualização”, afirmou Rodarmor no GitHub.
A parte oposta já respondeu, propondo um contra-ajuste ao Bitcoin Knots, o software mais utilizado pelos apoiadores do BIP-110. Segundo eles, o programa não reconhece o novo formato, permitindo que ele passe sem restrições de tamanho.
O impasse remete a que também dividiu a comunidade.
A questão financeira é central na disputa. Em outubro de 2024, o Runes, outro formato baseado em dados, gerou um aumento de 32% nas taxas que beneficiou mineradores.
Por outro lado, defensores da proposta afirmam que voluntários, responsáveis por manter os computadores da rede Bitcoin, precisam armazenar todos esses dados de forma permanente, sem receber por isso.
A fase de votação forçada deve começar em cerca de cinco semanas. Adam Back já classificou como caminho para uma altcoin minoritária, um projeto alternativo com pouca adesão.
As próximas semanas vão indicar se o silêncio dos mineradores revela rejeição ou apenas falta de interesse.