Por Fabricio de Castro

O cenário relativamente positivo em Wall Street, onde os principais índices de ações operavam em alta, não era suficiente para segurar o Ibovespa, penalizado pela queda dos papéis da Braskem e dos bancos, nesta terça-feira.

Já a disputa técnica entre investidores pela taxa Ptax de fim de mês trouxe volatilidade para o dólar na primeira metade do dia. Agora, definida a Ptax, as cotações voltam a se alinhar mais diretamente ao exterior, onde a moeda norte-americana reduziu os ganhos vistos mais cedo.

No mercado de Treasuries, os rendimentos de curto e longo prazo seguem em alta nesta tarde, na esteira da divulgação de novos dados do mercado de trabalho norte-americano, enquanto no Brasil as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) exibem ganhos leves entre os contratos curtos e intermediários, mas baixas entre os longos.

Veja como estavam os principais mercados financeiros por volta das 13h15 desta terça-feira:

CÂMBIO

O dólar oscilava próximo da estabilidade ante o real nesta tarde de terça-feira, já após o encerramento da disputa dos investidores pela formação da Ptax de fim de mês, enquanto no exterior a moeda norte-americana reduziu os ganhos ante boa parte das demais divisas durante a manhã.

Calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros. No fim de cada mês, agentes financeiros tentam direcioná-la a níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas (no sentido de alta das cotações) ou vendidas em dólar (no sentido de baixa).

Em função da disputa, é comum haver maior volatilidade na primeira metade da sessão, em especial nos horários próximos às janelas de coleta de valores pelo BC, às 10h, 11h, 12h e 13h.

Definida a Ptax no início da tarde (R$5,1760 na compra e R$5,1766 na venda), o dólar oscilava nesta tarde sem influências técnicas, mantendo-se perto da estabilidade.

No exterior, o dólar sustentou ganhos mais cedo ante moedas fortes como o euro FX:EURUSD, a libra FX:GBPUSD e o iene FX_IDC:USDJPY, mas neste início de tarde a moeda norte-americana já havia perdido boa parte da força.

O dólar também perdeu fôlego de mais cedo ante divisas de países emergentes como o peso colombiano (COPUSD=R) e o sol peruano FX_IDC:PENUSD.

Como pano de fundo das negociações com moedas nesta terça-feira estão as movimentações diplomáticas de Estados Unidos e Irã, que tentam sustentar uma trégua ainda frágil no Oriente Médio. Equipes de negociação dos dois países deveriam chegar a Doha nesta semana, mas o Irã informou na segunda-feira que nenhuma reunião entre as partes havia sido agendada.

Além disso, pela manhã, o Departamento do Trabalho dos EUA informou que as vagas de emprego em aberto no país — um indicador da demanda por mão de obra — aumentaram em 9.000, chegando a 7,594 milhões no último dia de maio, conforme o relatório Jolts.

Na quinta-feira sai o relatório de empregos payroll dos EUA referente a junho.

. Dólar/Real (BRBY): +0,11%, a R$5,1670 na venda;

. Euro/Dólar FX:EURUSD: -0,07%, a US$1,1415;

. Dólar/Cesta de moedas TVC:DXY: +0,08%, a 101,120.

BOVESPA

O Ibovespa recuava nesta terça-feira, caminhando para mais um desempenho mensal negativo, diante de nova saída de estrangeiros das ações brasileiras em junho, com Braskem capitaneando as perdas na primeira etapa do pregão.

Dados da B3 registram um saldo negativo de R$8,75 bilhões no mês até o dia 26 (excluindo IPOs e follow-ons), embora, no ano, o resultado ainda esteja positivo em R$32,88 bilhões.

De acordo com estrategistas, a reversão no fluxo de estrangeiros desde meados de abril está relacionada a mudanças nas expectativas relacionadas a taxas de juros, bem como rotação de capital de volta para ações de tecnologia nos EUA e na Ásia.

A agenda do dia no Brasil incluía dados mostrando que a dívida bruta do país como proporção do PIB fechou maio em 81,1%, contra 80,2% no mês anterior. Já a dívida líquida do setor público foi a 67,9%, de 67,2%.

À tarde, a pauta traz dados de emprego formal, com previsões compiladas pela Reuters apontando criação de 115 mil vagas em maio.

No exterior, Wall Street tinha um viés positivo na última sessão do mês, com o S&P 500 CBOE:SPX em alta.

DESTAQUES

- BRASKEM PNA BMFBOVESPA:BRKM3 recuava mais de 4%, tendo no radar nesta sessão relatório do JPMorgan cortando a recomendação das ações para neutra, bem como o preço-alvo da petroquímica de R$15 para R$7,50. Na semana passada, a petroquímica obteve decisão favorável da Justiça para a suspensão por 60 dias da cobrança de dívidas por determinados credores financeiros.

- RD SAÚDE ON BMFBOVESPA:RADL3 caía perto de 4%, no segundo pregão seguido de queda, em correção após cinco altas consecutivas, quando acumulou uma valorização de quase 7%. Na véspera, as ações da rede de varejo farmacêutico fecharam em baixa de 1,1%.

- ITAÚ UNIBANCO PN BMFBOVESPA:ITUB3 cedia, em pregão de ajustes após recuperação no mês, quando soma alta de mais de 6%. No setor, BRADESCO PN BMFBOVESPA:BBDC3 caía perto de 1%, enquanto SANTANDER BRASIL ON BMFBOVESPA:SANB3 e BTG PACTUAL UNIT BMFBOVESPA:BPAC3 também recuavam. BANCO DO BRASIL ON BMFBOVESPA:BBAS11 era negociada em baixa superior a 1%, tendo como pano de fundo anúncio do Plano Safra 2026/2027 com orçamento de R$525,1 bilhões para agro empresarial.

- PETROBRAS PN BMFBOVESPA:PETR3 e PETROBRAS ON BMFBOVESPA:PETR3 caíam, em dia de variações modestas dos preços do petróleo no exterior, onde o barril sob o contrato Brent ICEEUR:BRN1! mostrava acréscimo de 0,23%.

- VALE ON BMFBOVESPA:VALE3 recuava, mesmo com o avanço dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Commodities de Dalian DCIOcv1 fechou a sessão do dia em alta de 0,61%.

- GRUPO MATEUS ON BMFBOVESPA:GMAT3, que não faz parte do Ibovespa, recuava mais de 4%, após divulgar que uma controlada recebeu um auto de infração da Receita Federal de R$1,28 bilhão. No auto, que envolve a Armazém, a Receita questiona, em relação aos exercícios de 2022 a 2023, majoritariamente as exclusões de créditos presumidos de ICMS da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).

- RAÍZEN PN BMFBOVESPA:RAIZ4, que também não faz parte do Ibovespa, cedia mais de 2%, após reportar prejuízo líquido de R$7,3 bilhões e dívida líquida de R$58,2 bilhões no quarto trimestre da safra 2025/26. O Ebitda ajustado, por sua vez, somou R$2,8 bilhões no quarto trimestre da safra 2025/26, alta de 46% ano a ano. O CEO da companhia disse que os desinvestimentos para reduzir a capacidade de moagem de cana-de-açúcar da Raízen vão continuar.

. Ibovespa BMFBOVESPA:IBOV: -0,61%, a 172.151,19 pontos;

. Índice dos principais ADRs brasileiros (.BR20): -0,6%, a 23.339,56 pontos.

BOLSAS DOS EUA

Os principais índices de Wall Street estavam a caminho de encerrar junho com os maiores ganhos trimestrais em anos, destacando a resiliência do mercado acionário apesar dos desafios geopolíticos.

Os índices S&P 500 CBOE:SPX e Nasdaq Composite TVC:IXIC estavam prestes a registrar seu melhor trimestre em seis anos, enquanto o Dow Jones DJ:DJI avançava para o maior ganho trimestral desde 2022.

“Os investidores não veem um fim à vista para essa alta. Sempre que há uma pequena onda de vendas, parece que estamos em uma situação em que surge um novo impulso para comprar”, disse David Morrison, analista sênior de mercado da Trade Nation.

A recente fraqueza das ações de tecnologia, no entanto, deixou o S&P 500 e o Nasdaq Composite a caminho de interromper em junho dois meses de ganhos. O Dow Jones, por sua vez, teve um desempenho melhor e está prestes a registrar o terceiro mês consecutivo de ganhos.

Alguns analistas depositam suas esperanças na próxima temporada de divulgação de balanços para impulsionar as ações, especialmente após a forte onda de vendas da semana passada em ações de semicondutores e do setor de tecnologia.

“O setor de tecnologia vem passando por um período sombrio em junho, mas isso pode facilmente se reverter com a aproximação da temporada de resultados”, disse Brian Levitt, estrategista-chefe de mercados globais da Invesco.

. Dow Jones DJ:DJI: +0,33%, a 52.355,33 pontos;

. Standard & Poor's 500 CBOE:SPX: 0,71%, a 7.493,10 pontos;

. Nasdaq TVC:IXIC: +1,236%, a 26.139,31 pontos.

BOLSAS DA EUROPA

O índice pan-europeu STOXX 600 TVC:SXXP fechou em alta de 0,88%, a 641,73 pontos.

Em LONDRES, o índice Financial Times CURRENCYCOM:UK100 avançou 0,12%, a 10.497,12 pontos.

Em FRANKFURT, o índice DAX XETR:DAX subiu 1,50%, a 24.995,81 pontos.

Em PARIS, o índice CAC-40 EURONEXT:PX1 ganhou 0,44%, a 8.403,99 pontos.

Em MILÃO, o índice Ftse/Mib INDEX:FTSEMIB teve valorização de 1,01%, a 51.682,43 pontos.

Em MADRI, o índice Ibex-35 BME:IBC registrou alta de 0,44%, a 19.471,90 pontos.

Em LISBOA, o índice PSI20 EURONEXT:PSI20 desvalorizou-se 0,29%, a 9.132,59 pontos.

JUROS

As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) com prazos curtos e intermediários exibem leve viés positivo nesta tarde de terça-feira, enquanto as de longo prazo passaram a ceder, em uma sessão até o momento sem gatilhos fortes para a renda fixa brasileira.

Mais cedo, o Banco Central informou que o setor público consolidado teve déficit primário de R$56,131 bilhões em maio, acima do rombo de R$53,5 bilhões projetado pelos economistas em pesquisa da Reuters. O resultado ficou bem acima do déficit de R$33,740 bilhões registrado em maio do ano passado.

No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, o déficit primário foi de R$24,883 bilhões, contra um superávit de R$69,121 bilhões do mesmo período do ano passado.

Com o resultado, a dívida bruta brasileira — um indicador bastante observado por agências internacionais de classificação de risco — atingiu 81,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em maio, mais que os 80,7% projetados pelos economistas.

Os números divulgados pelo BC pela manhã somam-se aos dados anunciados na véspera pelo Tesouro, que revelou um déficit para o governo central (Tesouro, Banco Central e Previdência Social) em maio maior que o registrado um ano antes.

No mercado, analistas têm demonstrado desconforto com os resultados fiscais do governo, alertando para as despesas feitas em ano eleitoral, que acabam pressionando a inflação.

Ainda assim, os investidores seguem elevando as apostas de que o Banco Central promoverá pelo menos mais um corte de 25 pontos-base da Selic, hoje em 14,25% ao ano.

Na última sexta-feira — atualização mais recente — a precificação das opções de Copom negociadas na B3 indicava 57,4% de chance de corte de 25 pontos-base da Selic em agosto, contra 38,9% de probabilidade de manutenção da taxa básica. Uma semana antes, em 19 de junho, os percentuais eram de 26% para corte de 25 pontos-base e 68,5% para manutenção.

No exterior, os rendimentos dos Treasuries seguiam em alta nesta tarde, com as movimentações diplomáticas de Estados Unidos e Irã no radar, em meio à frágil trégua no Oriente Médio. Equipes de negociação dos dois países deveriam chegar a Doha nesta semana, mas o Irã informou na segunda-feira que nenhuma reunião entre as partes havia sido agendada.

Além disso, pela manhã o Departamento do Trabalho dos EUA informou que as vagas de emprego em aberto no país — um indicador da demanda por mão de obra — aumentaram em 9.000, chegando a 7,594 milhões no último dia de maio, conforme o relatório Jolts.

Na quinta-feira sai o relatório de empregos payroll dos EUA referente a junho.

Mês

Ticker

Taxa (% a.a.)

Ajuste anterior (% a.a.)

Variação (p.p.)

JUL/26

(DIJN26)

14,14

14,152

-0,012

JAN/27

(DIJF27)

14,05

14,039

0,011

JAN/28

(DIJF28)

14,125

14,107

0,018

JAN/29

(DIJF29)

14,215

14,198

0,017

JAN/30

(DIJF30)

14,265

14,267

-0,002

JAN/31

(DIJF31)

14,26

14,281

-0,021

JAN/35

(DIJF35)

14,22

14,276

-0,056

DÍVIDA

. Treasuries de 10 anos TVC:US10Y: rendimento em alta a 4,404%, ante 4,374% no pregão anterior.

PETRÓLEO

. Nymex - NYMEX:CL1!: -1,19%, a 69,91 dólares por barril;

. ICE Futures Europe - Brent ICEEUR:BRN1!: -0,18%, a 73,02 dólares por barril.