Por Fabricio de Castro

A quarta-feira é até o momento negativa para os ativos brasileiros, com o dólar subindo para perto dos R$5,20 e as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) avançando mais de 15 pontos-base em vários vencimentos.

Ambos os movimentos estão em sintonia com o exterior, onde o dólar também sobe ante quase todas as demais divisas e os rendimentos dos Treasuries sustentam ganhos firmes, mesmo após dados de emprego abaixo do esperado nos EUA e comentários do chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, de que as expectativas e os riscos de inflação diminuíram.

Em Wall Street, os índices Dow Jones e S&P 500 subiam, mas ainda assim o Ibovespa exibia leve variação negativa no Brasil.

Veja como estavam os principais mercados financeiros por volta das 13h20 desta quarta-feira:

CÂMBIO

O dólar ampliou os ganhos ante o real e neste início de tarde subia perto de 1%, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes nesta quarta-feira.

A alta do dólar no Brasil se manteve a despeito de o chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, ter afirmado no fim da manhã que as expectativas e os riscos de inflação nos EUA diminuíram nas últimas semanas, o que chegou a reduzir o ímpeto da moeda norte-americana ante outras divisas fortes, como o iene (JPY), o euro FX:EURUSD e a libra FX:GBPUSD.

Neste início de tarde, o dólar se mantinha com ganhos firmes ante moedas emergentes como o real, a rupia indiana (INRUSD=R), o peso chileno (CLPUSD=R) e o peso mexicano (MXNUSD=R), em meio à perspectiva de que o Fed aumente os juros no curto prazo.

"O exterior é responsável hoje por quase toda a alta do dólar ante o real. Os juros tendem a subir em algum momento este ano, e isso está atuando para a alta das cotações", comentou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik.

Mais cedo, o indicador da ADP revelou a criação de 98 mil postos de trabalho no setor privado dos EUA em junho, abaixo dos 118 mil esperados. Na quinta-feira, será divulgado o relatório payroll sobre o mercado de trabalho norte-americano, bastante esperado pelo mercado.

No Brasil, destaque para a pesquisa eleitoral Atlas/Bloomberg mostrando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pelo Planalto.

Lula tem 48,8% das intenções de voto no segundo turno, contra 42,3% de Flávio, segundo a sondagem. Em abril, ambos estavam empatados com 48%. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

. Dólar/Real (BRBY): +0,68%, a R$5,1979 na venda;

. Euro/Dólar FX:EURUSD: -0,33%, a US$1,1383;

. Dólar/Cesta de moedas TVC:DXY: +0,10%, a 101,340.

BOVESPA

A bolsa paulista começava o segundo semestre refletindo certa cautela de agentes financeiros, em uma quarta-feira também marcada por menor apetite a risco no exterior, enquanto Vale era um contrapeso positivo relevante.

Estrategistas do BTG Pactual reduziram marginalmente o risco na sua carteira de ações 10 SIM recomendada para julho, citando um cenário mais incerto pela frente e a ausência de claros catalisadores de curto prazo.

Em relatório enviado a clientes, eles afirmaram que as ações brasileiras parecem baratas, mas também citaram que elas perderam espaço perante investidores estrangeiros.

"Com a inflação acima da meta, o Banco Central do Brasil tem pouco espaço para cortar os juros. E com os juros de curto prazo prestes a subir nos EUA, isso limita ainda mais a sua capacidade de reduzir as taxas de juros locais", afirmaram.

"Ao mesmo tempo, o aumento dos gastos do governo às vésperas das eleições presidenciais de outubro está pressionando as taxas reais de longo prazo, que encerraram junho em 7,9%."

O início do ciclo de cortes na taxa Selic em março endossou o movimento positivo que prevaleceu na bolsa paulista no começo do ano, e foi apoiado principalmente por estrangeiros.

Boa parte da alta, porém, foi devolvida com uma reprecificação das expectativas sobre os próximos passos do Banco Central que passaram a apontar um ciclo de afrouxamento monetário mais curto do que o esperado.

Estrategistas do Goldman Sachs também citaram aumento da incerteza política com a eleição presidencial no país se aproximando, mas reiteraram a recomendação "overweight" para o Brasil em portfólio de ações de mercados emergentes.

Também afirmaram que o Brasil continua sendo o seu mercado acionário preferido na América Latina e que o mercado parece barato tanto em relação às taxas de juros de longo prazo quanto aos padrões observados em ciclos anteriores de queda de juros.

"Qualquer alívio na reprecificação mais agressiva das expectativas para os juros decorrente da redução dos preços de energia tende a favorecer as ações domésticas mais sensíveis aos juros", acrescentaram.

No exterior, o norte-americano S&P 500 CBOE:SPX tinha alta leve nesta tarde, com a cena geopolítica dividindo as atenções com dados econômicos.

A sessão também era marcada pelo avanço nos rendimentos dos títulos de 10 anos TVC:US10Y do Tesouro dos EUA, enquanto investidores aguardam dados do mercado de trabalho norte-americano previstos para a quinta-feira.

DESTAQUES

- BB SEGURIDADE ON BMFBOVESPA:BBSE3 recuava mais de 3%, enquanto investidores analisam os potenciais reflexos para a companhia envolvendo o Plano Safra 2026/2027, anunciado na véspera. Analistas do UBS BB destacaram que o volume de recursos e as taxas de juros do Plano Safra, juntamente com a demanda dos produtores por seguros, continuam sendo variáveis-chave para a recuperação do negócio de seguros rurais da companhia.

- ENGIE BRASIL BMFBOVESPA:EGIE3 caía mais de 4%, um dia antes de assembleia da companhia para decidir sobre aquisição de uma participação de 40% na usina hidrelétrica de Jirau de seu acionista controlador, em operação que será financiada por uma oferta de ações. O índice de energia elétrica BMFBOVESPA:B3SA3 da B3 tinha queda, com investidores na expectativa da segunda fase do primeiro leilão de transmissão de energia deste ano, prevista para sexta-feira, que prevê 4 lotes e investimento previsto de R$1,8 bilhão.

- VALE ON BMFBOVESPA:VALE3 subia, resistindo ao declínio dos futuros do minério de ferro da China.

- PETROBRAS PN BMFBOVESPA:PETR3 oscilava perto da estabilidade, em meio à queda dos preços do petróleo no exterior. A presidente-executiva da estatal, Magda Chambriard, disse à Reuters que o preço do barril do petróleo parece ter se estabelecido em novo patamar de US$72 a US$75, embora o mercado ainda não tenha normalizado e a guerra no Oriente Médio continue impondo incertezas. A Petrobras anunciou na véspera redução de R$0,3515 do litro do diesel vendido a distribuidoras, mesmo valor do desconto que foi concedido no âmbito do subsídio governamental e que agora está sendo retirado. Nesta quarta-feira, disse que vai reduzir em 14,5% o preço médio de venda do querosene de aviação (QAV) para distribuidoras a partir de julho.

- ITAÚ UNIBANCO PN BMFBOVESPA:ITUB3 tinha alta superior a 1%, em pregão com dados de crédito no país mostrando que a inadimplência nos empréstimos com recursos livres no Brasil subiu em maio para 6,2%, nível mais alto desde o início da série do Banco Central em março de 2011. BRADESCO PN BMFBOVESPA:BBDC3 oscilava perto da estabilidade, BANCO DO BRASIL ON BMFBOVESPA:BBAS11 registrava variação levemente negativa e SANTANDER BRASIL UNIT BMFBOVESPA:SANB3 mostrava leve alta.

- BRASKEM PNA BMFBOVESPA:BRKM3 tinha baixa leve, em sessão de ajustes, após acumular em junho queda de 39%.

- SUZANO ON BMFBOVESPA:SUZB3 valorizava-se, tendo de pano de fundo a conclusão da operação para criar uma joint venture de US$3,4 bilhões com a gigante de bens de consumo Kimberly-Clark. Pelo acordo, a Suzano terá 51% da nova empresa e a Kimberly-Clark os 49% remanescentes.

. Ibovespa BMFBOVESPA:IBOV: -0,15%, a 171.769,69 pontos;

. Índice dos principais ADRs brasileiros (.BR20): -0,86%, a 23.162,83 pontos.

BOLSAS DOS EUA

Os índices Dow Jones e S&P 500 subiam nesta tarde de quarta-feira, enquanto o Nasdaq recuava, com as tensões entre EUA e Irã lançando uma sombra sobre as negociações de paz no Oriente Médio.

Teerã afirmou que não se reunirá com os enviados dos EUA que voaram para a região após um surto de hostilidades. Embora uma fonte com conhecimento direto das negociações, bem como uma autoridade iraniana, tenham afirmado que os EUA e o Irã mantiveram conversas técnicas em Doha, a retórica contraditória sugeriu que um avanço significativo pode acabar sendo difícil de alcançar.

Falsas esperanças repetidas tornaram o conflito difícil de acompanhar, levando alguns investidores a se concentrarem, em vez disso, nos pilares fundamentais da economia. As quedas, no entanto, indicaram que a guerra no Oriente Médio é difícil de ignorar, especialmente devido ao impacto que a região exerce sobre os mercados globais de energia.

No segundo trimestre de 2026, o S&P 500 e o Nasdaq registraram seus melhores desempenhos trimestrais desde 2020, enquanto o Dow Jones teve o melhor desempenho desde 2022.

“Não tenho a impressão de que haja muita euforia no mercado no momento. O clima é otimista, mas não complacente”, disse Benjamin Jones, diretor global de pesquisa da Invesco.

Os investidores estão preocupados com a possibilidade de o Federal Reserve precisar aumentar a taxa de juros e mantê-la elevada para controlar a inflação.

Os operadores projetam que o banco central aumentará os juros pelo menos uma vez até o final do ano, de acordo com dados compilados pela LSEG.

. Dow Jones DJ:DJI: +0,74%, a 52.706,59 pontos;

. Standard & Poor's 500 CBOE:SPX: 0,24%, a 7.517,71 pontos;

. Nasdaq TVC:IXIC: -0,282%, a 26.139,90 pontos.

BOLSAS DA EUROPA

O índice pan-europeu STOXX 600 TVC:SXXP fechou em queda de 0,38%, a 639,31 pontos.

Em LONDRES, o índice Financial Times CURRENCYCOM:UK100 recuou 0,18%, a 10.478,34 pontos.

Em FRANKFURT, o índice DAX XETR:DAX subiu 0,18%, a 25.040,28 pontos.

Em PARIS, o índice CAC-40 EURONEXT:PX1 perdeu 0,79%, a 8.337,29 pontos.

Em MILÃO, o índice Ftse/Mib INDEX:FTSEMIB teve desvalorização de 0,15%, a 51.604,56 pontos.

Em MADRI, o índice Ibex-35 BME:IBC registrou baixa de 0,34%, a 19.406,60 pontos.

Em LISBOA, o índice PSI20 EURONEXT:PSI20 desvalorizou-se 0,46%, a 9.090,47 pontos.

JUROS

As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) avançavam nesta tarde de quarta-feira, em sintonia com a alta dos rendimentos dos Treasuries no exterior, com o mercado no Brasil digerindo ainda uma nova pesquisa eleitoral.

O avanço dos rendimentos dos Treasuries ocorre a despeito de dados mostrarem que os empregos no setor privado norte-americano cresceram menos que o esperado em junho. O indicador da ADP revelou nesta manhã a criação de 98 mil postos de trabalho no setor privado dos EUA no mês passado, abaixo dos 118 mil esperados conforme pesquisa da Reuters.

O relatório da ADP é publicado antes do relatório de emprego payroll de junho, que será divulgado na quinta-feira pelo Escritório de Estatísticas do Trabalho. O indicador da ADP, porém, tem se mostrado pouco preciso para a estimativa do escritório sobre o número de empregos no setor privado norte-americano.

No Brasil, o destaque até o momento é a pesquisa eleitoral Atlas/Bloomberg mostrando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pelo Planalto.

Lula tem 48,8% das intenções de voto no segundo turno, contra 42,3% de Flávio. Em abril, ambos estavam empatados com 48%. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

De modo geral, Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que vê em sua reeleição um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação.

Apesar dos receios, nas últimas semanas os investidores seguem se posicionando para um novo corte da taxa básica Selic pelo Banco Central.

Na última segunda-feira — atualização mais recente — a precificação das opções de Copom negociadas na B3 indicava 57,92% de chance de corte de 25 pontos-base da Selic em agosto, contra 37,09% de probabilidade de manutenção da taxa básica em 14,25%. Uma semana antes, em 22 de junho, os percentuais eram de 29% para corte de 25 pontos-base e 67% para manutenção.

Mês

Ticker

Taxa (% a.a.)

Ajuste anterior (% a.a.)

Variação (p.p.)

JAN/27

(DIJF27)

14,01

13,986

0,024

JAN/28

(DIJF28)

14,085

13,983

0,102

JAN/29

(DIJF29)

14,225

14,071

0,154

JAN/30

(DIJF30)

14,295

14,14

0,155

JAN/31

(DIJF31)

14,315

14,157

0,158

JAN/35

(DIJF35)

14,305

14,171

0,134

DÍVIDA

. Treasuries de 10 anos TVC:US10Y: rendimento em alta a 4,4633%, ante 4,422% no pregão anterior.

PETRÓLEO

. Nymex - NYMEX:CL1!: -1,97%, a 68,13 dólares por barril;

. ICE Futures Europe - Brent ICEEUR:BRN1!: -2,44%, a 71,17 dólares por barril.