Por Fabricio de Castro
O impacto inicial dos dados do relatório de empregos payroll foi positivo para os ativos brasileiros nesta quinta-feira, com o Ibovespa chegando a superar os 174 mil pontos e o dólar cedendo para a faixa dos R$5,15, mas neste início de tarde os ativos já exibiam correções.
O Ibovespa mostra alta mais modesta e o dólar reduziu as perdas, acompanhando certo arrefecimento dos ganhos dos ativos de risco no exterior. Embora o índice de ações Dow Jones siga em alta, o S&P e o Nasdaq recuavam neste início de tarde.
Na renda fixa brasileira, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) despencaram após o payroll, acompanhando os Treasuries, com os dados reduzindo a perspectiva de alta de juros pelo Federal Reserve. No entanto, entre o fim da manhã e o início da tarde as taxas futuras se recuperaram no Brasil, migrando para o território positivo.
Veja como estavam os principais mercados financeiros por volta das 13h05 desta quinta-feira:
CÂMBIO
O dólar segue em baixa ante o real nesta tarde de quinta-feira, mas distante da menor cotação da sessão até o momento, atingida após a divulgação de dados do mercado de trabalho norte-americano piores que o esperado por economistas.
Relatório do Departamento do Trabalho informou que a economia dos EUA gerou 57 mil postos de trabalho em junho, abaixo dos 110 mil projetados por economistas em pesquisa da Reuters. A taxa de desemprego no país ficou em 4,2% em junho, ante 4,3% projetados.
Números separados mostraram ainda que os pedidos de auxílio-desemprego nos EUA somaram 215 mil na semana passada, menos que os 220 mil esperados.
Os dados de emprego mais fracos que o esperado reduziram a perspectiva de alta de juros pelo Federal Reserve, fazendo os rendimentos dos Treasuries despencarem logo após a divulgação. O movimento foi acompanhado pelo dólar, que também se enfraqueceu ao redor do mundo.
No Brasil, o dólar à vista marcou a cotação mínima de R$5,1585 (-0,99%) às 9h41 após a divulgação, mas se recuperou posteriormente, ainda que siga no território negativo.
. Dólar/Real (BRBY): -0,21%, a R$5,1995 na venda;
. Euro/Dólar FX:EURUSD: +0,57%, a US$1,1443;
. Dólar/Cesta de moedas TVC:DXY: -0,61%, a 100,780.
BOVESPA
O Ibovespa avançava nesta quinta-feira, tendo chegado a flertar com os 174 mil pontos, após a criação de empregos nos Estados Unidos desacelerar mais do que o esperado em junho e reduzir apostas em alta de juros pelo Federal Reserve.
A economia norte-americana abriu 57.000 postos de trabalho fora do setor agrícola no mês passado, de acordo com o Departamento do Trabalho dos EUA, enquanto previsões de economistas consultados pela Reuters apontavam a abertura de 110.000 vagas.
A taxa de desemprego, por sua vez, caiu para 4,2%, de 4,3% em maio, indicando uma estabilidade contínua no mercado de trabalho.
"Para o Fed, o relatório retira um possível risco de aquecimento do mercado de trabalho, mas não a ponto de gerar preocupações com a atividade econômica", avaliou a economista Andressa Durão, do ASA.
"Nosso cenário para a taxa de juros segue sendo de manutenção este ano, apesar de os riscos para a inflação permanecerem inclinados para cima."
Após os dados, operadores passaram a enxergar 60% de probabilidade de um aumento dos juros pelo Fed em setembro, de 75% antes da divulgação. Em relação à reunião de julho, veem uma chance de alta inferior a 20%.
Em Nova York, o S&P 500 CBOE:SPX, uma das referências do mercado acionário norte-americano, oscilava perto da estabilidade.
DESTAQUES
- VALE ON BMFBOVESPA:VALE3 avançava, endossada ainda pela alta dos futuros do minério de ferro na China. No setor, CSN ON BMFBOVESPA:CSNA3 era o destaque positivo, com alta superior a 1%.
- PETROBRAS PN BMFBOVESPA:PETR3 oscilava perto da estabilidade e PETROBRAS ON BMFBOVESPA:PETR3 subia, em meio ao declínio dos preços do petróleo no exterior.
- ITAÚ UNIBANCO PN BMFBOVESPA:ITUB3 oscilava perto da estabilidade. O Itaú divulgou na noite da véspera que venceu licitação do governo do Estado de Minas Gerais para prestação de serviços de pagamento a servidores.
- C&A ON BMFBOVESPA:CEAB3 subia mais de 1%, com o setor de consumo BMFBOVESPA:B3SA3 apoiado pelo alívio de mais cedo nas taxas dos DIs.
- MBRF ON BMFBOVESPA:MBRF3 recuava mais de 2%, entre as poucas quedas do dia, em nova sessão de ajustes, após acumular alta de 12,6% em junho. No setor, MINERVA ON BMFBOVESPA:BEEF3 tinha leve baixa.
- NATURA ON (NTCO3.SA) perdia mais de 2%, no segundo pregão com sinal negativo após uma sequência de oito altas. A fabricante de cosméticos divulgou que a Advent passou a deter ações equivalentes a 6,6% do capital social, além de exposição via derivativos.
. Ibovespa BMFBOVESPA:IBOV: +0,42%, a 172.409,07 pontos;
. Índice dos principais ADRs brasileiros (.BR20): +0,69%, a 23.303,37 pontos.
BOLSAS DOS EUA
O índice Dow Jones avançava, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq demonstravam fraqueza nesta tarde de quinta-feira, depois que um relatório de emprego de junho mais fraco do que o esperado moderou as expectativas de aumentos na taxa de juros pelo Federal Reserve.
O relatório de empregos mostrou que a economia dos Estados Unidos criou 57.000 empregos fora do setor agrícola no mês passado, em comparação com a estimativa de economistas de 110.000. A taxa de desemprego ficou em 4,2%, contra expectativa de 4,3%.
O relatório interrompeu uma sequência recente de fortes ganhos no mercado de trabalho e pode, potencialmente, tornar o Federal Reserve mais relutante em aumentar os juros.
As chances de pelo menos um aumento nos juros este ano ficaram em 76%, de acordo com dados compilados pela LSEG, em comparação com cerca de 84% antes do relatório de empregos.
“É um número excelente. É o melhor número que poderíamos esperar. Isso indica que o mercado de trabalho está indo bem, mas não está aquecido o suficiente para acelerar a inflação”, disse Florian Ielpo, chefe de macroeconomia da Lombard Odier Investment Managers.
. Dow Jones DJ:DJI: +0,72%, a 52.683,10 pontos;
. Standard & Poor's 500 CBOE:SPX: -0,23%, a 7.466,25 pontos;
. Nasdaq TVC:IXIC: -0,787%, a 25.835,09 pontos.
BOLSAS DA EUROPA
O índice pan-europeu STOXX 600 TVC:SXXP fechou em alta de 1,43%, a 648,46 pontos.
Em LONDRES, o índice Financial Times CURRENCYCOM:UK100 avançou 1,67%, a 10.652,87 pontos.
Em FRANKFURT, o índice DAX XETR:DAX subiu 2,02%, a 25.546,40 pontos.
Em PARIS, o índice CAC-40 EURONEXT:PX1 ganhou 1,65%, a 8.474,86 pontos.
Em MILÃO, o índice Ftse/Mib INDEX:FTSEMIB teve valorização de 1,60%, a 52.428,18 pontos.
Em MADRI, o índice Ibex-35 BME:IBC registrou alta de 1,37%, a 19.671,80 pontos.
Em LISBOA, o índice PSI20 EURONEXT:PSI20 valorizou-se 1,20%, a 9.199,84 pontos.
JUROS
As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) despencaram durante a manhã, após dados mostrarem uma abertura de vagas de emprego abaixo do esperado nos Estados Unidos em junho, mas neste início de tarde elas já exibiam ganhos.
O relatório de emprego do Departamento do Trabalho informou que a economia dos EUA gerou 57 mil postos de trabalho em junho, abaixo dos 110 mil projetados por economistas em pesquisa da Reuters. A taxa de desemprego no país ficou em 4,2% em junho, ante 4,3% projetados.
Números separados mostraram ainda que os pedidos de auxílio-desemprego nos EUA somaram 215 mil na semana passada, menos que os 220 mil esperados.
Os dados do relatório de emprego, mais fracos que o esperado, reduziram a perspectiva de alta de juros pelo Federal Reserve, fazendo os rendimentos dos Treasuries despencarem.
A curva de DIs no Brasil acompanhou o movimento, mas entre o fim da manhã e o início da tarde recuperou força, com as taxas migrando para o território positivo.
Nas sessões mais recentes, os investidores vêm elevando gradativamente as apostas de que o Banco Central cortará novamente a Selic em 25 pontos-base em agosto.
Na última terça-feira — atualização mais recente — a precificação das opções de Copom negociadas na B3 indicava 70% de chance de corte de 25 pontos-base da Selic em agosto, contra 28% de probabilidade de manutenção da taxa básica em 14,25%. Uma semana antes, em 23 de junho, os percentuais eram de 35% para corte de 25 pontos-base e 63% para manutenção.
Mês Ticker Taxa (% a.a.) Ajuste anterior (% a.a.) Variação (p.p.) | JAN/27 (DIJF27) 14,05 14,026 0,024 | JAN/28 (DIJF28) 14,21 14,123 0,087 | JAN/29 (DIJF29) 14,37 14,26 0,11 | JAN/30 (DIJF30) 14,465 14,333 0,132 | JAN/31 (DIJF31) 14,48 14,349 0,131 | JAN/35 (DIJF35) 14,455 14,36 0,095 |
DÍVIDA
. Treasuries de 10 anos TVC:US10Y: rendimento em queda a 4,4673%, ante 4,475% no pregão anterior.
PETRÓLEO
. Nymex - NYMEX:CL1!: -1,22%, a 67,74 dólares por barril;
. ICE Futures Europe - Brent ICEEUR:BRN1!: -1,2%, a 70,71 dólares por barril.