A Meta Platforms NASDAQ:META está criando um negócio de nuvem para vender capacidade computacional excedente de inteligência artificial, informou a Bloomberg News nesta quarta-feira, enquanto gigantes da tecnologia buscam retorno sobre investimentos caros em IA em meio a preocupações com gastos excessivos.

Os planos ainda estão em desenvolvimento e a estratégia pode mudar, segundo a reportagem, que cita pessoas familiarizadas com o assunto.

As ações da Meta disparavam cerca de 10% nesta sessão, aliviando a pressão sobre um papel que teve desempenho inferior ao do índice S&P 500. CBOE:SPX este ano, com uma queda de quase 15% até a terça-feira.

As ações da Neocloud CoreWeave NASDAQ:CRWV e da Nebius NASDAQ:NBIS, por sua vez, recuavam forte, devido a preocupações de que a medida possa reduzir os gastos da Meta, um cliente importante, com seus serviços, além de aumentar a concorrência.

Competindo diretamente com os principais provedores de nuvem, como a Amazon NASDAQ:AMZN, a Microsoft NASDAQ:MSFT e a Alphabet NASDAQ:GOOG, isso poderia ajudar a Meta a aproveitar a crescente demanda por serviços de IA por parte das empresas, reduzindo ao mesmo tempo sua dependência do mercado publicitário.

Mas analistas disseram que isso também aprofundou as dúvidas sobre os esforços da gigante das redes sociais para alcançar os principais laboratórios de IA, como a Anthropic, um esforço que o presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, apoiou com bilhões de dólares em investimentos, incluindo o início de uma disputa por talentos no ano passado.

Em abril, a Meta revelou o Muse Spark, o primeiro modelo de IA fruto de uma equipe dispendiosa que montou, mas que ainda não foi disponibilizado para desenvolvedores. Uma reportagem do Wall Street Journal publicada no mês passado afirmou que não há data prevista para o lançamento.

O serviço em nuvem que a Meta está planejando permitiria que os desenvolvedores acessassem modelos de IA hospedados em sua infraestrutura, incluindo o Muse Spark, e pagassem pela capacidade computacional necessária para executá-los, segundo a reportagem da Bloomberg News publicada na quarta-feira.

Isso seria semelhante ao Bedrock da Amazon Web Services, que permite aos desenvolvedores acessar modelos de IA de diferentes empresas.

A dona do Instagram também está considerando vender capacidade bruta de computação de IA, como a neocloud, acrescentou a reportagem.

"O impacto da adição da capacidade da Meta ao mercado provavelmente será mais sentido pelas neoclouds do que pelos grandes hiperescaladores. Empresas como CoreWeave e Nebius dependem da Meta para seu crescimento, e a Meta pode não precisar mais delas", disse Gil Luria, diretor administrativo da DA Davidson.

A Meta recusou-se a comentar. A Reuters não conseguiu verificar a informação de forma independente.

EM BUSCA DE RETORNOS

"Essa situação é muito semelhante à que a SpaceX enfrentou, o que a levou a vender também capacidade computacional", disse Luria.

A SpaceX NASDAQ:SPCX, cuja unidade xAI também está por trás dos principais esforços de desenvolvimento de IA, fechou recentemente acordos para alugar o acesso aos seus centros de dados em Memphis para a Anthropic e o Google.

Na assembleia de acionistas da Meta em maio, Zuckerberg afirmou que entrar no mercado de computação em nuvem era "definitivamente uma possibilidade", observando que empresas estavam entrando em contato com a Meta "quase toda semana" para comprar acesso aos seus modelos de IA ou poder computacional ocioso.

A expectativa é que a Meta invista até US$145 bilhões em infraestrutura de IA este ano, uma parcela significativa dos mais de US$700 bilhões investidos pelas grandes empresas de tecnologia nessa tecnologia.

(Reportagem de Anhata Rooprai e Aditya Soni em Bengaluru)