Julho chegou e com ele a entrada definiva para o chamado "weather market", ou "mercado climático", para os grãos negociados na Bolsa de Chicago, principalmente depois de já conhecidos os dados revisados de área para a safra 2026/27 dos Estados Unidos. Os números confirmaram o que já vinha sendo precificado nas últimas semanas - e desde março, quando chegaram as primeiras projeções oficiais de área - de uma área menor de milho e maior de soja em relação à safra 2025/26. Agora, o foco está sobre em quais condições climáticas as lavouras irão se desenvolver no Meio-Oeste americano, considerando esta uma das principais janelas do ano-safra dos EUA.

"Ultimamente, os números do USDA não mudarão o cenário, deixando o clima como o principal fator determinante para os preços dos grãos e oleaginosas, que atualmente não refletem muito risco. Aguarde até que o preço do milho caia até chegarmos ao período típico do início de agosto, quando provavelmente atingiremos uma mínima sazonal importante. A forte demanda impulsionará os preços mais tarde", explica Jason Gehler, senior market strategist da Blue Line Futures, ao portal Farm Progress.

Nesta quarta-feira (1), tanto os preços do milho, quanto os da soja voltaram a subir na CBOT, pautando-se não só em nos últimos relatórios, mas também de olho no clima do Corn Belt. No caso da oleaginosa, especificamente, analistas e consultores internacionais ouvidos pelo portal afirmam que a evolução - ou não - do comércio entre a China e os Estados Unidos também será um driver importante para as cotações. Ainda assim, os ganhos são frágeis e podem ser passageiros.

Por volta de 12h30 (horário de Brasília), as cotações subiam de 6 a 4 pontos nos principais vencimentos, levando o julho a US$ 11,22 e o novembro a US$ 11,47 por bushel.

"O calor esperado para esta semana poderá impulsionar as safras em algumas áreas, após um junho frio e chuvoso ter retardado o desenvolvimento das culturas. E as previsões a longo prazo indicam pouca ameaça até meados de julho. O aumento da área plantada, aliado ao clima favorável, sugere um potencial recorde de colheita e um abastecimento adequado, mas não excessivo, em 2027", complementa a análise do Farm Progress.

As previsões, todavia, indicam um final de semana mais úmido no Meio-Oeste dos EUA, em especial na porção norte do cinturão. Boa parte de Minnesota, Wisconsin e a metade norte de Iowa deverão receber elevados volumes de chuvas, que podem variar de 20 a 77 mm até a próxima segunda-feira (6).

O mapa abaixo, do NOAA - o departamento oficial de clima do governo dos Estados Unidos - mostra as precipitações esperadas entre 1 e 6 de julho, com as áreas coloridas em laranja, vermelho e roxo destacadas como as de volumes mais intensos.

Já as previsões mais alongadas apontam para dias de temperaturas mais altas persistindo durante a próxima semana, também refletindo algum equilíbrio em relação ao calor extremo que tem acometido partes dos EUA nos últimos dias. Ainda assim, no período de 6 a 10 de julho, as previsões mostram temperaturas acimda da média para todo o Corn Belt e as Planícies, com preocupação maior para as Planícies do Norte. As chuvas são esperadas para virema alinhadas com a média.

Entre os dias 8 e 14, as condições são semelhantes, com a espera por temperaturas acima da média, mas com chances diminuídas de calor extremo, com chuvas abaixo da média no oeste do cinturão.