Por Howard Schneider e Balazs Koranyi e Ann Saphir
O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, estabeleceu na quarta-feira um cronograma ambicioso para que o banco central dos EUA "descubra" e comece a confiar em dados econômicos em tempo real que sejam superiores ao que ele descreveu como relatórios governamentais problemáticos.
"Minha aspiração é que, daqui a nove ou doze meses, estejamos usando novas tecnologias para entender o que está acontecendo na economia real, de forma contemporânea e em tempo real, o que nos posicionará como banqueiros centrais a tomar decisões melhores, de modo que não teremos mais que depender exclusivamente de dados fornecidos por agências governamentais com problemas de medição e pesquisas que já não são relevantes", disse Warsh em um fórum de política monetária em Portugal. "Os dados que mais me interessam estão ao nosso alcance, e se fizermos nosso trabalho, daqui a um ano estaremos aqui dizendo que descobrimos dados que nos ajudam a tomar decisões melhores."
Atualmente, o Fed utiliza uma ampla gama de dados governamentais, do setor privado e internos, tanto públicos quanto privados, para monitorar a economia e prever sua trajetória, enquanto tenta definir as taxas de juros para apoiar o emprego e controlar a inflação.
Warsh criticou o Fed por se basear excessivamente em dados oficiais que estão defasados ou representam de forma distorcida as condições atuais e afirma que a má qualidade dos dados, que leva a decisões ruins do Fed, é a principal culpada pela inflação estar acima da meta há mais de cinco anos.
Os colegas de Warsh no Fed, por sua vez, costumam dizer que tentam se proteger de serem surpreendidos por dados que são posteriormente revisados ou que não refletem as condições atuais, analisando as tendências ao longo do tempo — uma abordagem que o próprio Warsh adotou na quarta-feira, ao se esquivar de perguntas sobre o que os recentes relatórios econômicos significam para a política monetária.
Eles também afirmam que seus esforços para consultar líderes empresariais e organizações em todo o país, cujo resumo é publicado regularmente no chamado Livro Bege do Fed, os ajudam a acompanhar as mudanças em tempo real na economia, que os dados oficiais podem demorar mais para refletir.
Na quarta-feira, Warsh disse que na próxima semana começaria a nomear os membros de suas cinco novas forças-tarefa, uma das quais se concentra em encontrar novas fontes e métodos de coleta de dados.
O aparente desejo de Warsh de reduzir a dependência de dados governamentais surge num momento em que uma das principais agências de dados dos EUA, o Departamento de Estatísticas do Trabalho (Bureau of Labor Statistics), está prestes a ter um novo chefe que prometeu corrigir problemas técnicos que reduzem a confiabilidade de seus relatórios econômicos cruciais.
Um deles, o relatório mensal de empregos, será divulgado na quinta-feira.
O presidente dos EUA, Donald Trump, demitiu o chefe anterior do Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS) por produzir o que ele chamou de dados falsos, depois que a agência divulgou grandes revisões que mostraram que o crescimento do emprego foi muito mais fraco do que o inicialmente relatado.
A nova escolha de Trump para o cargo, Brett Matsumoto, afirmou não acreditar que os dados tenham sido manipulados, mas que a coleta pode ser aprimorada. Economistas dizem que o problema reside, em parte, nas taxas de resposta iniciais cada vez menores das pesquisas de emprego, o que leva a revisões posteriores à medida que mais respostas são registradas.
O Departamento de Análise Econômica anunciou recentemente uma mudança na forma como produz alguns dados de inflação, que deverá resultar em revisões para baixo dos seus números em setembro.
Warsh afirma que sua força-tarefa pode ter ideias sobre como melhorar os dados oficiais, mas também sobre como gerar informações mais atualizadas sobre a economia.