Por Amanda Stephenson

O Canadá anunciou planos para construir um novo oleoduto de Alberta até a costa do Pacífico, o que daria ao quarto maior produtor de petróleo do mundo maior capacidade de exportação para a Ásia e diminuiria sua dependência dos Estados Unidos.

O primeiro-ministro Mark Carney fez o anúncio em Calgary ao lado da primeira-ministra de Alberta, Danielle Smith, cujo governo afirmou que a construção do oleoduto com capacidade para 1 milhão de barris por dia começaria já em setembro de 2027.

O plano representa a culminação de meses de negociações políticas e compromissos de todos os lados. Ele constitui a tentativa do governo Carney de equilibrar os ideais ambientais do Canadá com a realidade econômica imposta pela política tarifária do presidente dos EUA, Donald Trump.

"Concordamos que a hora de agir é agora", disse Carney.

O oleoduto poderá transformar o Canadá em um importante fornecedor global de energia, visto que os maiores importadores da Ásia buscam petróleo fora do Oriente Médio em decorrência do conflito com o Irã.

Não foram divulgadas estimativas de custos para o oleoduto, que será construído pela Trans Mountain Corp, empresa estatal, em coordenação com a Pembina Pipeline Corp TSX:PPL para transportar petróleo bruto das areias betuminosas de Alberta para o sudoeste da Colúmbia Britânica.

O governo federal, por meio da Trans Mountain, e o governo de Alberta, por meio da Alberta Petroleum Marketing Corporation, seriam os proprietários majoritários do oleoduto. A Pembina teria uma participação de 10% durante a construção, com a possibilidade de adquirir até outros 10% após o início das operações do projeto.

Smith afirmou que os detalhes do financiamento do projeto ainda estão sendo negociados.

O plano foi formalmente submetido pelo governo provincial ao escritório de grandes projetos do Canadá para possível tramitação regulatória acelerada.

OBSTÁCULOS DO OLEODUTO

A produção de petróleo do Canadá, que em 2026 deverá ultrapassar o recorde do ano passado de 5,3 milhões de barris por dia, tem atualmente apenas uma forma de acessar os mercados asiáticos: o oleoduto Trans Mountain, que percorre um trajeto semelhante ao do novo oleoduto proposto.

A expansão do oleoduto Trans Mountain foi concluída em 2024, sete anos depois de a Kinder Morgan ter ameaçado cancelá-la devido à forte oposição ambiental e indígena.

Ottawa comprou o sistema Trans Mountain por 4,5 bilhões de dólares canadenses (US$ 3,15 bilhões) em 2018 para concluir a expansão. Atrasos na construção e estouros de orçamento elevaram o custo total para C$34 bilhões ao longo de quatro anos.

Representantes do setor afirmaram que as incertezas regulatórias continuam sendo um grande risco para a construção de oleodutos no Canadá, e nenhuma empresa privada manifestou interesse em adquirir uma participação majoritária na proposta de Alberta.

As políticas ambientais do Canadá, especialmente sob o governo do ex-primeiro-ministro liberal Justin Trudeau, alimentaram a revolta na província de Alberta, rica em petróleo, e deram origem a um movimento separatista incipiente. Carney tem buscado melhorar as relações com Alberta e, em outubro passado, assinou um acordo para suspender certas regulamentações climáticas e ajudar a província a desenvolver seu setor energético.

Em um acordo separado assinado com a Colúmbia Britânica, Carney se comprometeu, na quinta-feira, a manter a proibição federal existente à circulação de petroleiros ao longo da costa noroeste. Ele também se comprometeu a ajudar a financiar melhorias na infraestrutura destinadas a expandir a capacidade do Terminal Roberts Bank, parte do porto de Vancouver, além de prometer acelerar a construção de novos projetos de gás natural liquefeito na Colúmbia Britânica.

O primeiro-ministro da Colúmbia Britânica, David Eby, opôs-se veementemente à ideia de um oleoduto atravessando a província pelo noroeste, devido a preocupações com o risco de um derramamento de petróleo na área ecologicamente frágil. Ele pareceu, na quinta-feira, abrir caminho para a construção de um oleoduto em sua província, desde que a proibição de navios-tanque permaneça em vigor.

Carney afirmou que qualquer novo oleoduto para transporte de petróleo bruto deve ser desenvolvido em parceria com as comunidades indígenas e também depende da indústria petrolífera construir um projeto de captura e armazenamento de carbono em grande escala.

O governo de Alberta afirmou, na quinta-feira, estar perto de finalizar um acordo tripartite com Ottawa e o grupo industrial Oil Sands Alliance, que abrirá caminho para o avanço do projeto de captura de carbono. Os detalhes desse acordo devem ser divulgados nos próximos dias.