O mercado futuro do milho registrou uma sessão de oscilações e terminou os negócios desta quinta-feira (2) em campo misto na Bolsa de Chicago, mas recuando na B3. Nas duas bolsas, como explicaram analistas e consultores, os investidores alternaram entre ajustes técnicos, pressões de colheita e o movimento das moedas internacionais, resultando em variações discretas e sem uma direção bem definida.
Na B3, os principais vencimentos terminaram o dia recuando de 0,1% a 0,6% nos principais contratos, levando o julho a R$ 64,82 e o setembro a R$ 67,98 por saca. Mais cedo, as cotações chegaram a subir, acompanhando o movimento de alta do dólar, porém, perderam força também acompanhando o mercado cambial. A moeda americana fechou o dia com estabilidade e ainda testando os R$ 5,21.
Na outra ponta, a atenção também permanece sobre a colheita da safrinha. Os trabalhos de colheita continuam, ampliando a disponibilidade de produto no país, mantendo as cotações pressionadas não só na B3, mas também no interior do Brasil.
O consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, faz uma ponderação, no entanto, de que há ainda áreas onde a colheita do cereal está atrasada e que uma oferta ainda mais robusta deverá chegar entre 10 e 15 de junho para frente. "Então, o restante de julho e agosto ainda vai ser de mercado com muito milho chegando, e com esse milho chegando o mercado não vai permitir que haja uma disparada de cotações no curto prazo", diz.
Brandalizze estima que haja cerca de 70 milhões de toneladas ainda a serem colhidas nos campos brasileiros, e só depois de um evolução mais forte dos trabalhos de campo é que os preços podem começar a ensaiar uma reação a qual, segundo o consultor, deverá ser registrada apenas a partir de setembro.
BOLSA DE CHICAGO
Na Bolsa de Chicago, os vencimentos do milho flutuaram ao longo do dia pelos dois lados da tabela, com algumas posições operando em leve baixa e outras em estabilidade ou pequenos ganhos. No encerramento do dia, subiram julho e setembro, enquanto recuaram dezembro e março/27, com o dezembro terminando o dia com US$ 4,41 por bushel.
Vencimentos curtos enfrentaram sutil pressão técnica, refletindo as boas condições climáticas que beneficiam o desenvolvimento das lavouras no Corn Belt norte-americano. Além disso, os mapas climáticos seguem favoráveis para as próxima semanas, sem mostrar grandes ameaças à nova safra dos Estados Unidos.
Por outro lado, o recuo do dólar frente a uma cesta de moedas globais ajudou a dar competitividade ao grão dos Estados Unidos no mercado internacional, limitando perdas maiores e trazendo sustentação para as posições mais distantes.
Outro ponto que também está no radar dos investidores é a questão do calor intenso na Europa, que compromete lavouras de milho em algumas regiões. "Na Euronext, o milho alcançou novas máximas, colocando prêmios nas cotações em função de mais uma onda de calor se fortalecendo para os próximos dias".