A sexta-feira (3) chega ao fim com os preços futuros do milho registrando resultados negativos na maior parte das posições da Bolsa Brasileira (B3). Já no acumulado semanal, os contratos do cereal registraram resultados mistos com altas de até 0,17% e baixa de até 1,4%.

Segundo Vlamir Brandalizze, analista de mercado da Brandalizze Consulting, apesar de a colheita da segunda safra ainda estar atrasada, o mercado sabe que um grande volume de milho está para chegar e já vai pressionando as cotações.

“O que vem pela frente é muito milho da safrinha e não tem muito espaço para manobras de evolução. Somente lá para setembro, quando começar a se confirmar que vai cair a primeira safra é que, talvez, o mercado acorde e comesse a comprar mais milho. Por enquanto o mercado segue calmo por aqui”, afirma Brandalizze.

O diretor técnico da Abramilho, Daniel Rosa, destaca que a comercialização do milho está travada no momento, diante dos preços mais baixos, mas a expectativa é de avanço nas vendas mais à frente, especialmente diante da projeção de demanda firme trazendo alguma sustentação para as cotações.

“Percebemos um amadurecimento do produtor brasileiro de milho que vem trazendo essa estratégia da soja para o milho, essa venda escalonada e a busca por venda antecipada. Aquele cenário de antigamente de comprar milho da mão para a boca, que era muito feito aqui no Brasil, com a chegada das usinas de etanol e o fortalecimento das exportações brasileiras, quem não compra milho cedo, não necessariamente vai comprar milho barato", avalia Rosa.

“A demanda interna hoje está estimada em 95 milhões de toneladas e isso faz com que os preços tenham uma certa estabilidade”, acrescenta o diretor.

O vencimento julho/26 foi cotado a R$ 64,40 com queda de 0,65%, o setembro/26 valeu R$ 67,00 com desvalorização de 1,46%, o janeiro/27 foi negociado por R$ 73,32 com baixa de 0,24% e o março/27 teve valor de R$ 75,08 com alta de 0,28%.

No acumulado semanal, os vencimentos do cereal brasileiro registraram ganhos de 0,17% para o julho/26 e de 0,17% para o março/27, além de perdas de 1,47% para o setembro/26 e de 0,31% para o janeiro/27, com relação ao fechamento da última sexta-feira (26).

variação semanal milho b3

No mercado físico brasileiro o preço da saca de milho permaneceu praticamente inalterado neste último dia da semana. O levantamento realizado pela equipe do Notícias Agrícolas identificou desvalorização somente na praça de Sorriso/MT.

Mercado Externo 

Já a Bolsa de Chicago (CBOT) não teve movimentações nesta sexta-feira em função do feriado do Dia da Independência dos Estados Unidos neste sábado (4). Levando em conta o fechamento da última quinta-feira (2), os preços internacionais do milho futuro registraram resultados mistos ao longo da semana.

Acumularam ganhos, os vencimentos julho/26 (2,97%) e setembro/26 (0,30%). Já o março/27 somou perda de semanal de 0,05% e o dezembro/26 fechou a semana estável, na comparação com o fechamento da última sexta-feira (26).

O analista da Brandalizze Consulting explica que o mercado de Chicago começou a última quinta-feira em alta, atrelado à quebra grande da safra da França, que está perdendo bastante no milho, mas terminou o pregão em liquidação técnica de final de semana alongado.

“Lá em Chicago, a semana que vem deve ser de altas atreladas novamente nessa questão de quebra de safra na Europa”, comenta Brandalizze.

variação semanal milho cbot