Por Karen Brettell e Harry Robertson
O dólar recuava nesta quinta-feira depois que o relatório de emprego de junho revelou que os empregadores dos Estados Unidos criaram muito menos vagas do que o esperado, enquanto o iene avançava com os operadores se preparando para uma possível intervenção das autoridades japonesas.
Os empregadores criaram 57.000 vagas de emprego fora do setor agrícola, abaixo das expectativas dos economistas, que apontavam para 110.000 novos empregos. O desemprego caiu de 4,3% para 4,2%.
Os mercados reajustaram rapidamente suas expectativas em relação à política monetária do Federal Reserve. Operadores agora veem uma chance de 53% de um aumento da taxa de juros até setembro, ante 67% antes do relatório.
“Os números são mais fracos do que o esperado, mas a maior parte deles se concentra nos setores de lazer e hospitalidade. Isso provavelmente se deve mais a fatores sazonais do que a qualquer outra coisa, então não é algo muito preocupante”, disse Sarah Ying, chefe de estratégia cambial da CIBC Capital Markets.
O índice do dólar TVC:DXY, que mede o dólar em relação a uma cesta de moedas, incluindo o iene e o euro, tinha queda de 0,66%, para 100,73, enquanto o euro FX:EURUSD subia 0,63%, a US$1,1448.
O dólar vinha sendo impulsionado nos últimos meses pelas crescentes expectativas de que o Fed aumentasse os juros conforme continua a combater a inflação, que está bem acima de sua meta anual de 2%. Fortes influxos de capital ligados ao boom da inteligência artificial também têm sustentado a moeda.
O iene se valorizava em relação ao dólar nesta quinta-feira, à medida que os operadores avaliavam uma mudança na estratégia de intervenção do Ministério das Finanças do Japão e especulavam se Tóquio já havia agido.
Fontes informaram à Reuters que autoridades japonesas estavam abandonando o hábito de sinalizar antecipadamente os riscos de intervenção, indicando, em vez disso, uma campanha mais direcionada para pressionar os especuladores e elevar o custo das apostas contra o iene.
As autoridades também estavam evitando qualquer sugestão de um nível específico de câmbio que desencadearia uma ação, em uma abordagem mais agressiva destinada a manter os operadores na incerteza.
O iene japonês FX_IDC:USDJPY se valorizava 0,91% em relação ao dólar, para 160,97 por dólar, e chegou a 160,62, o nível mais alto desde 18 de junho.
O que desencadeou o movimento permanecia obscuro, e o Ministério das Finanças do Japão se recusou a comentar. Operadores e estrategistas ofereceram explicações divergentes, com alguns especulando que as autoridades teriam verificado as taxas no mercado — uma medida que normalmente sinaliza disposição para intervir e que, por si só, pode abalar os mercados cambiais.
(Reportagem de Karen Brettell; reportagem adicional de Harry Robertson, Satoshi Sugiyama e Rae Wee)