Por Karen Brettell

Após sustentar ganhos firmes ante outras divisas mais cedo, o dólar perdeu força nesta quarta-feira, depois que o chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, afirmou que as expectativas e os riscos de inflação diminuíram nas últimas semanas.

Os comentários surgem antes da divulgação do relatório sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos, que será publicado na quinta-feira.

O iene japonês, que havia caído anteriormente para a menor cotação em 40 anos em relação ao dólar, se recuperou com o enfraquecimento da moeda norte-americana.

Às 11h51 (horário de Brasília), o dólar tinha queda de 0,07% em relação ao iene FX_IDC:USDJPY, a 162,42. O euro FX:EURUSD era negociado a US$1,139, em queda de 0,27% no dia, enquanto a libra FX:GBPUSD era cotada a US$1,3272, em alta de 0,06%. O índice do dólar TVC:DXY — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,08%, a 101,320.

Warsh, em discurso durante um painel internacional, disse que os membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) decidirão se aumentarão os juros apenas quando se reunirem, no fim de julho. Ele acrescentou que quem fizesse perguntas “não conseguiria” obter dele nenhuma orientação prospectiva.

O dólar tem sido sustentado pelas crescentes expectativas de aumentos nas taxas de juros pelo Fed neste ano, já que a inflação está bem acima da meta anual de 2% do banco central. Ainda assim, muitos analistas acreditam que o quadro de inflação irá melhorar nos próximos meses.

“Nada do que observamos sugere que qualquer desequilíbrio, seja no lado da atividade econômica ou no lado da inflação, esteja crescendo rapidamente”, disse Steve Englander, chefe de pesquisa global de câmbio do G10 e de estratégia macroeconômica para a América do Norte na filial do Standard Chartered Bank em Nova York.

“É possível esperar para ver como essas tendências tecnológicas de longo prazo se desenrolarão”, acrescentou Englander. “O que vemos é que os custos unitários de mão de obra estão muito, muito baixos e, em última análise, é isso que o Fed controla.”

Mesmo na ausência de uma postura mais "hawkish" (dura com a inflação) do Fed, outras forças estão atraindo capital para os Estados Unidos e apoiando o dólar, incluindo a rápida adoção da inteligência artificial.

Um mercado de trabalho resiliente, que gerou um aumento de empregos muito mais forte do que o esperado nos últimos três meses, também reforçou as perspectivas de crescimento dos EUA.

O iene tem sido uma das maiores vítimas da alta do dólar, colocando o Ministério das Finanças do Japão em uma posição difícil quanto à decisão de intervir para apoiar a moeda.

O principal representante do Japão para assuntos cambiais, Atsushi Mimura, afirmou que a intervenção realizada há dois meses para apoiar o iene havia sido eficaz e que algumas autoridades norte-americanas haviam se mostrado “favoráveis” à medida, informou a Bloomberg News nesta quarta-feira.

Joey Chew, chefe de câmbio para a Ásia do HSBC, disse que o Ministério das Finanças do Japão parece mais tolerante em relação à desvalorização do iene do que no passado. Entre os fatores estão a valorização generalizada do dólar em relação às principais moedas e a queda nos preços do petróleo, o que aliviou a pressão sobre o Banco do Japão para conter a inflação.